segunda-feira, 23 de maio de 2016

Acomodando os Outros por Swāmi Dayānanda Saraswati

"De muitas maneiras, todos interfere na vida de todo mundo. Todo mundo cria um efeito global em suas ações. Normalmente, nós apenas olhamos as coisas de uma pequena perspectiva, e encontrar a pessoa que estamos com raiva com iminência grande antes de nós.

Na verdade, nunca estamos livres da influência de alguém ou de todas as forças do universo; nem podemos executar uma ação sem afetar todos os outros. Até mesmo nossas demonstrações afetarão os outros. Portanto, a nossa liberdade deve incluir o fato de que estamos todos interligados.

Mesmo o Swāmi (renunciante) não é livre. Um casal passou por mim quando eu estava em um jardim zoológico, e o homem comentou com a sua parceira, "Olhe para este." Eu era o único com essas roupas estranhas para ser olhado. As pessoas muitas vezes fazem tais comentários.

Eu tento não perturbar as pessoas, mas parece que as minhas roupas, as vestes tradicionais de um renunciante, causam uma ligeira perturbação. Eu tomei uma decisão (ser um renunciante), e ela definitivamente afetar outros pessoas.

Se estou incomodado com os comentários dos outros, então eu ganho somente tanta liberdade quanto eles me concedem. No entanto, se eu reverter o processo, se eu dou a liberdade para outros para serem o que eles são, nessa medida, eu sou livre. Então, eu não discuto com eles. Minha liberdade é a liberdade que eu dê a eles para terem a sua opinião sobre mim, que é diferente da realidade.

Assim, há vantagens em ACOMODAR as pessoas como elas são.

Se alguém faz um comentário sobre você, deixe ele fazer isso. Se o comentário não é verdade, você geralmente tenta justificar suas ações e provar que ele estava errado. Se você é objetivo, você vai tentar ver se há alguma validade na crítica sobre você. Se ele colocou você para baixo para própria segurança, dê a essa pessoa essa liberdade e, em seguida, você está livre.

Que aperto pode fazer para um parafuso quando os fios não estão lá?

O mundo pode incomodá-lo apenas na medida em que você permite que o mundo incomode você. Você não permite que o mundo incomode se você dá ao mundo a liberdade para fazer o que quiser dentro da regra da sociedade.

Mudando totalmente a si mesmo dessa forma você ganha, de acordo com o seu valor para a acomodação, relativamente permanente no contentamento e liberdade.

Praticando a acomodação você chega a um acordo com você mesmo psicologicamente, com você mesmo como uma personalidade.

Isso é o que chamamos Yoga-Sadhana (prática de Yoga).”

(Acomodação = prestativo e disposto a fazer o que a outra pessoa quer.)



tradução feita por Vicente Morisson


Retirado da página do facebook Tradição Védica
www.facebook.com/tradicaovedica

sábado, 14 de maio de 2016

"Não dá para preencher a vida com bares, novela e internet", diz Monja Coen

por Karin Hueck

Claudia Dias Batista de Souza é o nome de batismo da Monja Coen. Antes de se tornar a mais famosa praticante e líder budista do Brasil, ela foi gente como a gente – talvez até um pouco mais louquinha. Prima de Sergio Dias e Arnaldo Batista, dos Mutantes, Coen foi casada algumas vezes – uma delas, com o iluminador dos shows do Alice Cooper – e acabou presa na Suécia por tráfico de LSD. Foi apenas aos 36 anos que ela começou a meditar. E nunca mais parou. Nessa entrevista, ela fala sobre os caminhos internos para a felicidade, sobre autoconhecimento e transcendência, e sobre como não recomenda mais o uso de drogas para se aproximar de Deus.

Quais são as maiores diferenças no conceito de felicidade na filosofia ocidental e na oriental?
​A palavra felicidade, em português, tem sua origem nas palavras “fertil” e “frutífero”. O que frutifica nos faz bem. Plantas, árvores, ideias, filosofias, trabalho, propostas, casamento e assim por diante – todos esses elementos podem deixar alguém feliz. Tanto no Oriente como no Ocidente, seres humanos – se não despertarem para a mente suprema – podem ser manipulados ou podem acabar manipulando outras pessoas em propósitos egoicos, que só atendem a si mesmas. Eu sinto que sair do eu auto-centrado e se dedicar ao Eu maior é a própria felicidade – e isso tanto no Ocidente quanto no Oriente. Talvez os métodos educacionais sejam diversos: o Ocidente sempre foi mais centrado no eu individual do que o Oriente, que costuma considerar a coletividade em primeiro lugar. Mas isso não quer dizer que um é melhor do que o outro. Não se iluda, tanto no Oriente quanto no Ocidente, a maioria das pessoas atualmente se desgasta em preocupações relacionadas a bens materiais apenas e, quase nunca, encontram a plenitude do Eu Maior.​

Por que, na sua opinião, tantas pessoas procuram o zen-budismo para alcançar uma vida mais “plena”? Qual é o principal apelo dessa filosofia?
​A prática essencial do Zen é a meditação sentada, o conhecer o nosso próprio Eu, ao mesmo tempo em que esquecemos do eu. É a prática de deixar-se iluminar por tudo que existe. Perceber que estamos conectados a toda vida da Terra. Comunhão e encontro com a Verdade​ e o Caminho.​ E isso tem um grande apelo.

Por que, como você acabou de dizer, as pessoas se preocupam tanto com bens materiais? Na sua opinião, por que confundem felicidade com prosperidade financeira?
​Porque há pobreza, carência, miséria, desnutrição, fome. Se as necessidades básicas de sobrevivência não forem atendidas, não somos capazes de nem mesmo orar. Isso é universal. O resultado dessas lógica é que acabamos nos prendendo a essa etapa de auto sustentabilidade e muitas vezes nem percebemos que já estamos com as necessidades básicas atendidas e ainda falta alguma coisa. Tentamos preencher com novelas, programas, amigos, bares, internet, mas continua faltando. Algumas pessoas procuram o caminho do auto conhecimento, que é o conhecimento da vida, da sacralidade da existência, da rede de causas, condições e efeitos. Algumas pessoas procuram pela compreensão do significado da existência. Outras apenas vivem​ ​se distraindo das questões básicas da mente humana, querendo apenas rir, se divertir. Isso faz com que muitas pessoas sofram com essa situação, por não penetrarem no sentido mais íntimo do ser.​

Preocupar-se com felicidade é uma noção válida? Você se preocupa em ser mais feliz?
​Preocupar-se nunca é válido. Ocupar-se sim. Ocupar-se em fazer o seu melhor a cada instante e despertar para a mente de sabedoria perfeita é o caminho do Nirvana, é a felicidade verdadeira. Então, pratico os ensinamentos de Buda, sem me preocupar, mas me ocupando com a verdade e esse caminho.​

Você fala muito da violência que existe ao nosso redor. De onde ela vem? Como ela interfere na nossa felicidade?
A violência existe. Seu oposto, a não-violência também. Dentro e fora de cada ser humano. Quando somos capazes de transformar a raiva em compaixão, tudo cessa. Quando abandonamos um “eu” que precisa ser defendido, que não pode ser magoado​ ​e assim por diante, percebemos que estamos muito além das provocações internas e externas. Mas só conseguimos praticar isso com prática incessante.​ Certa feita, Sua Santidade o XIV Dalailama, disse algo como: “Compaixão nem sempre é visceral. Temos de utilizar a mente para desenvolver a capacidade de compreender a quem nos ofende ou provoca.” Isso tem a ver com as conexões neurais. Todos nós nascemos com todos os neurônios possíveis, mas, se não os estimularmos, eles não se conectam. Se formos treinados a fazer conexões neurais de violência, briga, raiva, rancor, temor e assim por diante, essa trilha se torna uma auto-estrada, uma rodovia. Para fazer novas conexões temos de nos esforçar a conectar com amor, compreensão, ternura, assertividade, destemor e assim por diante.

Você teve diversas profissões antes de se tornar monja (inclusive jornalista como nós). O que diria que tirou de cada uma delas?
​Experiências, questionamentos. Fui repórter do Jornal da Tarde, da editoria de Geral. Isso significa que eu cobria todos os assuntos possíveis por todo o Brasil. Foi uma época de um despertar claro e profundo sobre valores diversos em vários níveis sociais. E de conhecer os seres humanos – dos mais ricos e poderosos aos mais pobres e humildes – procurando a felicidade e a estabilidade física, material, psíquica, espiritual. Depois fui ser professora de Inglês e com isso passei a conhecer melhor a maneira de pensar dos povos de lingua inglesa. É tudo diferente de quem fala português: a lógica, a filosofia, a maneira de ser. Fui também secretária do Banco do Brasil, em Los Angeles, e pude cortar quaisquer resquícios de discriminação preconceituosa que tinha quanto ao fato de ser secretária. Percebi a importância das secretárias nas empresas. Gerentes, diretores não seriam capazes de atuar sem suas/seus secretários. Um governo não funciona sem suas secretarias. Assim, em cada oportunidade pude aprender e transformar conceitos deludidos em experiência pura.

Em que momento – e qual foi a importância deste momento – que você percebeu que deveria se tornar monja?
​Passei a meditar de forma regular, em Los Angeles, onde residia. Percebi que a meditação Zen era o Caminho que eu queria dar ao que restava de minha vida. Tinha 36 anos de idade.​

Você disse em algumas entrevistas que tomou LSD e chegou a experiências religiosas intensas com ele. Você acha que as drogas são uma forma de transcendência? Vê alguma validade nisso?
​Tudo depende de quem as usa e com que propósito. Na minha juventude, eu procurava por Deus. Não procurava por sexo, diversão, brincadeira ou prazer de qualquer espécie mundana. Hoje eu não recomendo uso de drogas​ ​ou de qualquer tipo de substância para alcançar a transcendência. Basta respirar conscientemente. Basta sentar em silêncio, na postura correta, para acessar o Eu além do eu. Podemos ter o encontro com a Natureza Buda – que é talvez o que tradições monoteístas chamam de Deus – através do silêncio, da meditação profunda e da respiração tranquila.​ Mas isso requer persistência, paciência e entrega, e deve ser através de orientação de pessoas que tiveram a experiência sagrada. Não é algo que se possa tentar sozinha. É preciso seguir determinados procedimentos para esse encontro. Da mesma maneira, se combinarmos um encontro com alguém teremos de saber o local, o horário e o caminho para chegar até lá. É preciso ter uma rota. As tradições meditativas, religiosas, espirituais têm sistemas muito antigos e hábeis para conduzir os seres humanos ao verdadeiro Encontro. É preciso escolher uma tradição e seguir seus ensinamentos, sem desistir quando ps obstáculos surgirem.

Felicidade é um valor importante? Há outros mais importantes?
​Felicidade, paz, Nirvana, quietude adquirida através da sabedoria perfeita, clareza, transparência, ética, prática incessante da vida iluminada.​

Você se considera uma pessoa feliz?
​Sou feliz.




sábado, 7 de maio de 2016

As mães dos Mestres

Pensando em uma maneira de homenagear às mães me deparei com este texto sobre as Mães de alguns Mestres e achei interessante compartilhar a leitura com vocês.

Falar sobre as mães de grandes mestres da Humanidade é a forma mais genuína de homenagear todas as mães, afinal, mãe é mãe.

Um Feliz dia das Mães para vocês!

Apreciem a leitura!


PARAMAHANSA YOGANANDA

“Toda mulher é, para mim, uma representante da Mãe. Vejo a Mãe Cósmica em todas”, 
disse o mestre iogue Paramahansa Yogananda. 

 A profunda ligação que o indiano tinha com a sua mãe, no entanto, era bem especial. Logo no início

do clássico espiritual que o tornou conhecido no mundo todo, o livro “Autobiografia de um Iogue”, ao retratar o período da infância, ele enaltece a figura de Gyana Prabha: “…Era uma rainha de corações e nos educou inteiramente pelo amor.”. Através dela, Yogananda entrou em contato com as tradicionais escrituras sagradas de seu país. “Ela recorria ao Mahabharata e ao Ramayana para dali retirar histórias adequadas às exigências disciplinares.”. 

Junto do pai, Bhagabati Charan Gosh, Gyana levou o filho, ainda bebê, para o guru Lahiri Mahasaya abençoar. Na ocasião, Lahiri lhe disse: “Mãezinha, teu filho será um iogue. Como uma locomotiva espiritual, conduzirá muitas almas ao reino de Deus.”. A profecia se cumpriu e, onde esteve, Yogananda propagou a mensagem divina comprometido com a linhagem de gurus da qual fazia parte e honrando a seus pais, por quem sempre teve profundo respeito e amor.



GANDHI

Mahatma Gandhi foi um dos maiores líderes pacifistas da história. À frente do movimento pela libertação da Índia da colonização inglesa, reuniu milhares de pessoas em prol de uma disputa memorável na qual a resistência física e a inutilização de qualquer tipo de arma tornaram-no um grande herói da humanidade. Ele também tinha um carinho especial por sua mãe, como se lê no trecho de sua autobiografia.

“Minha mãe deixou uma impressão marcante em minha memória: a de que era uma santa. Na verdade, era uma pessoa extremamente religiosa e não fazia uma refeição sem rezar. Uma de suas atividades diárias era frequentar o haveli. Pelo que me recordo, nunca deixou de completar os chaturmas (período sagrado de quatro meses de moderação e prática espiritual ). Fazia as promessas mais difíceis e as cumpria sem hesitar. A doença nunca era motivo para deixar de realizá-las. Lembro-me de uma vez em que, mesmo enferma, seguiu à risca os votos do chandrayana. Jejuar dois ou três dias consecutivos não era nada para ela, e fazer somente uma refeição diária durante os chaturmas tornara-se um hábito.

Não contente, uma vez, durante um chaturma, jejuou em dias alternados. Em outra, prometeu não comer senão em cada aparição do sol. Nesses dias, eu e meus irmãos pequenos ficávamos mirando o céu, esperando o sol surgir para avisá-la. Todos sabem que durante o pico da estação chuvosa o sol nem sempre aparece. Lembro-me de alguns dias em que, quando surgia repentinamente no céu, corríamos para chamá-la e ela saía para ver com seus próprios olhos. Quando chegava, o sol já havia sumido e ela ficava sem comer.

– Não importa – dizia com alegria no coração –, Deus não quer que eu coma hoje. – E voltava para seus afazeres.”

No período em que esteve na cidade londrina, a fim de estudar Direito, muitas foram as dificuldades enfrentadas pelo indiano. A adaptação a uma nova cultura e os preconceitos sofridos em função da sua nacionalidade eram apenas alguns dos obstáculos, como se lê neste outro trecho: “O amor de minha mãe não me saía da cabeça, e à noite vinham-me lágrimas nos olhos e não conseguia pegar no sono.”


JESUS

Muito embora sejam poucas as passagens em que Maria aparece no Novo Testamento, do que se sabe é possível admirar. Alguém que abrigou em seu ventre o Mestre Jesus haveria de ser muito especial.

A última menção ao seu nome na Bíblia se dá na crucificação do filho. Ela, junto de outras três mulheres (sua irmã, a mulher de Cleofas, também de nome Maria e Maria Madalena), além do discípulo João, acompanharam o acontecimento profundamente consternados. Jesus, ao olhar para a mãe e vê-la chorar, confortou-lhe apontando para João, dizendo: “Mulher, eis aí teu filho!” e a João, ele falou: “Eis aí tua mãe!”. Ambos poderiam se amparar um no outro.

A cena em que Maria envolve o Cristo em seus braços, após horas de martírio, foi eternizada pelo escultor e pintor italiano Michelângelo. “Pietá”, criada no século XV – apesar de remeter a um episódio doloroso – é uma bela e contundente representação do amor materno.





Retirado em 06/05 de http://www.culturadapaz.com.br/as-maes-dos-mestres/

quarta-feira, 4 de maio de 2016

O Fechamento de um Ciclo e Sempre uma Oportunidade de Renascimento Interior

Por Soraya Rodrigues de Aragão

A vida é a nossa grande mestra. Tudo o que nos acontece, está de algum modo nos favorecendo, seja para nos melhorarmos, seja para nos despertarmos da nossa zona de conforto, ou mesmo para adquirirmos alguma habilidade ou mudarmos algum aspecto. O proposito é sempre o aprimoramento.

Geralmente, nos sentimos propensos ou motivados a realizar mudanças significativas em nossas vidas quando estamos insatisfeitos, quando as condições em que vivemos não correspondem mais as nossas expectativas.

Não há necessidade de datas para nos renovarmos. Tem certos momentos na vida que por si mesmos são verdadeiros marcadores que sinalizam o fechamento de um ciclo, quer aceitemos ou não.

Precisamos desenvolver nossa “escuta interior” e através da nossa capacidade de compreensão, termos lucidez e sensibilidade para aceitarmos que algo já se deteriorou. A partir desta percepção, é possível nos reposicionarmos e nos readaptarmos para darmos boas vindas ao “novo”, com suas infinitas possibilidades. Muitas vezes, a vida não convida, mas intima a atualizações necessárias para nosso próprio progresso, enviando-nos sinais que muitas vezes recusamos admitir e que tem um proposito maior: passar para uma etapa seguinte. Não estamos atentos a estas leituras ambientais ou simplesmente as ignoramos, pois não nos interessa sair de nossa comodidade, da nossa zona de conforto, mesmo que deteriorada. Estamos ali, agarrados a qualquer custo. Precisamos nos desvencilhar do que se deteriorou, seguir adiante e confiar na generosidade da vida.

Quando a vida nos sinaliza que um ciclo está se fechando, aceite o fato e aproveite para renovar suas esperanças, oportunizando-se a gestar novos propósitos e projetos de vida. Uma readaptação nem sempre é um processo fácil, visto que dispendemos muita energia emocional na reorganização do “caos” interno. Por outro lado, este é também um momento rico para iniciarmos o precioso movimento de auto avaliação e para revalidar o lugar que ocupamos ou que desejamos ocupar no mundo.

Quando um ciclo se fecha, é porque necessitamos realizar algum aprendizado naquele contexto, para passarmos para a etapa seguinte. Os processos transitórios da vida não são exatamente efêmeros, mas são etapas potencialmente criativas.

Vida é fluxo, é movimento; é a negação da estagnação das nossas crenças e percepções arcaicas como verdades absolutas que caíram por terra. Nada é definitivo, muito menos de nossa propriedade. Acreditamos que coisas e pessoas são nossas. Na vida não existem garantias, nem datas de validade.

Com o advento de uma nova fase, Iniciam-se novas oportunidades. Em contato com contingencias que proporcionam agora o florescer de uma nova consciência, nos será permitida uma maior lucidez dos fatos. Tudo isto nos oportunizará criar a realidade que tanto desejamos e que somos diretamente responsáveis. Este movimento criativo nos permite reflexões verdadeiras e profundas que nos levam a dar novos significados a nossa existência, se abrirmos mão do que se foi e darmos as boas vindas as novas possibilidades.

A nossa vida hoje é consequência de atitudes, ações, palavras e pensamentos do passado. Sendo assim, façamos valer uma realidade diferente hoje através de uma postura diferente agora. Precisamos eliminar aspectos, coisas e posturas que não nos proporcionam crescimento, que nada nos adiciona e que podem até nos criar empecilhos.

Necessário é reciclar o nosso lixo emocional, transmutar sentimentos negativos e aprender a lidar melhor com nossas inquietações e limitações para entrarmos mais leves em um novo ciclo de vida. Para que haja renovação verdadeira, de dentro para fora, é indispensável reavaliar a nossa percepção dos fatos, mas o principal de tudo para qualquer primeiro passo é nos aceitarmos como somos, momento este de “insights” para toda mudança verdadeira, pois a partir da auto aceitação, poderemos promover as mudanças que forem necessárias. Portanto, desnue-se interiormente, retire suas mascaras, se olhe de frente.

As vezes precisamos mudar rotas e trajetórias, provenientes das nossas reavaliações daquilo que já não nos serve mais. Mas nada foi perdido de todo: tornamo-nos mais vividos, mais capazes e aprimorados.

Em cada etapa da vida apostamos naquela realidade e investimos o melhor que podemos nela. Quando nos deparamos com algumas circunstancias, vislumbramos o quanto agora tudo o que foi vivido não faz mais sentido: neste momento nos damos conta que estamos em uma nova etapa de vida. A nossa maior conquista é transmutar a própria vida em constante processo de evolução e recriação de nós mesmos, colocando em pratica os valores que precisamos alimentar, nos aprimorando em todas as perspectivas e principalmente aprendendo com os erros do passado.

Somos seres itinerantes na trajetória da vida e estamos aqui para aprender, para evoluir. Só poderemos renascer para uma nova realidade se tivermos a capacidade simbólica de nos despojarmos do passado, aceitar as mortes simbólicas dos ciclos que é a própria sabedoria da vida. Recriar-se. Renascer. reinventar-se. Superar-se.

Nós, indivíduos eternos do devir, estamos sempre em processo de reflexão acerca das nossas vivencias para obter a sabedoria que precisamos e que neste mundo nunca basta. As reflexões devem ser continuas como meio preventivo para não nos depararmos com crises que poderiam ser evitadas, quando tentamos de alguma forma nos agarrar a algo que já se foi. O fechamento de um ciclo nos oportuniza revisar, ressignificar e dar um novo sentido à própria vida, colocando em pratica um novo projeto de acordo com a nossa realidade e necessidades.

Permanecer em um ciclo que já se fechou é altamente desgastante, além de se pagar um alto preço por isto. Estar aberto, disponível e receptivo para novas oportunidades e experiencias é o que a vida nos propõe ao fim de cada etapa.

Muitas vezes não estamos vivendo, mas vivenciando uma sobrevida, e não é isto o que queremos. Queremos ter uma vida plena e de qualidade, portanto deixar ir o que já está carcomido não é sinal de covardia, e sim de coragem. Coragem para dar um novo passo. Coragem para continuar a ter fé na vida, apesar de tudo.


Para refletir:

Que possamos olhar os problemas como desafios, a dor como meio de aprendizado, as mudanças como oportunidade de transformação, a insatisfação como eterna busca. Todo processo pode ser fácil ou difícil, penoso ou desafiador, de possibilidades e aprimoramentos. Depende de como você percebe cada acontecimento. E com o fechamento de ciclos não é diferente, pois ele nos oportuniza uma nova vida.

Bem vindos à renovação.


domingo, 24 de abril de 2016

De Bons de Briga o Mundo Anda Cheio. O que Falta é Gente Boa de Amor!


Texto de André J. Gomes


Deu, né, minha gente? Já tem muito coração cheio de ódio nesse mundo. Basta. Nós mesmos, humanos que somos, vez em quando rangemos os dentes por aí. Todos temos motivos para odiar alguém ou alguma coisa. Mas passou da hora de fazer um esforço, remar no sentido contrário, apertar o passo, seguir em frente e deixar lá atrás tudo quanto é odioso.

A vida anda repleta de pessoas, bichos, ideias, causas e coisas de toda sorte merecendo o amor da gente. É questão de escolha: em vez de perder um só segundo odiando quem nos ofende, nos rouba, explora, agride e nos xinga, por que não mudar o foco e buscar quem mereça de nós coisa melhor?

Falo por mim, mas acho que com você não é diferente: eu odeio tanta coisa! Odeio mesmo. Tenho ódio puro e simples de um caminhão de comportamentos que, para mim, são próprios de gente ruim. Homem que bate em mulher, político ladrão, arrogância, grosseria, maldade com criança, desprezo com velhinhos, crueldade com animal, assédio, força bruta. Tanta coisa! Mas fazer o quê senão me posicionar contra isso, me afastar do que faz mal e me concentrar no que faz bem?

Verdade é que a minha raiva me escraviza. Quem é dono do meu ódio é dono de mim. Já quem tem o meu amor, não. Sou escravo de quem eu odeio e amigo de quem eu amo. Então, chega de ódio. É tempo de buscar o que possamos querer bem.

O seu tempo, claro, é seu. Você faz o que quiser com ele. Mas eu acho que ele bem gostaria de ser investido num amorzinho bom, um passatempo saudável, um trabalho que cansa o corpo e descansa a cabeça, uma amizade sincera. Uma companhia a quem se achegar à tardinha, um afeto a quem deixar de manhã e regressar à noite. Essas coisas que, Deus é grande, estão sempre à nossa espera.

Há sempre o que fazer de bom. Adote um gato, um cachorro, uma nova postura, um hábito saudável, um hobby. Telefone às pessoas queridas, ainda que para dizer nada. Perdoe os velhos erros, inclusive os seus. Peça perdão! Beba água, seja amigo dela! Compre uma planta e dê-lhe um nome bonito e simples. Quando for regá-la de manhã, diga “Saúde, Fulana!” e beba água junto com ela, num brinde à saúde de todas as plantas e todos os bichos e todas as gentes! Escolha um segredo revelável e conte a um amigo querido como prova de confiança. Se ele contar a outro alguém, não o odeie por isso – o segredo era revelável mesmo. Mas não perca tempo com mau sentimento. Odiar quem bem merece é tão ruim quanto amar quem não merece.

O mundo já vai cansado de gente boa de briga. 
O que falta é gente boa de amor. 
É tempo de caçar o que amar. 
Encontremos então o que nos faça sentir o coração feliz. 
Olhemos para fora ou miremos para dentro, não importa. 
Sejam os outros, sejamos nós mesmos, tem sempre alguém ou alguma coisa merecendo o amor da gente por aí.


Retirado em 19/04/16 de https://osegredo.com.br/2016/03/de-bons-de-briga-o-mundo-esta-cheio-o-que-falta-e-gente-boa-de-amor/

terça-feira, 19 de abril de 2016

9 Sinais de que seu corpo está com excesso de toxinas (e como eliminá-as naturalmente)

Um texto de www.curapelanatureza.com.br

A vida moderna trouxe muitas facilidades, mas também trouxe muitas desvantagens.

Hoje vivemos constantemente cercados por substâncias e toxinas prejudiciais.

A comida e o ar que respiramos são muito contaminados com produtos tóxicos, como pesticidas, hormônios e outros venenos.

O álcool, o cigarro e medicamentos que usamos complicam ainda mais a situação.

Portanto, a nossa saúde vive sob constante ameaça.

Por isso precisamos limpar o corpo, a fim de restaurar as suas funções próprias e o bem-estar.

Primeiro de tudo, você precisa aprender a reconhecer os sinais que seu corpo está enviando para lhe comunicar que está cheio de toxinas:

Estes são os sintomas que não devemos ignorar:

1. Excesso de gordura no abdome

A gordura abdominal em excesso pode indicar que o seu corpo está cheio de toxinas, uma vez que isso dificulta a capacidade de regular os níveis de glicose e metabolizar o colesterol.

2. Problemas de pele

Quantidades excessivas de toxinas no corpo podem causar problemas de pele, como acne, espinhas, irritação, rosáceas e coceiras na pele.

Isto é devido aos esforços do corpo para eliminar as toxinas de uma forma natural.

3. Dores de cabeça

Venenos presentes no corpo irritam o sistema nervoso e causar dores de cabeça.

4. Muitas toxinas no corpo forçam o fígado, causando excesso de trabalho desse órgão.

Com isso, o fígado cria mais calor e, como o resultado, todo o corpo entra em superaquecimento, advindo episódios de febre.

5. Nível baixo de energia

Sobrecarga tóxica no organismo provoca sensação constante de exaustão.

6. Nariz congestionado

Nariz frequentemente congestionado pode indicar o acúmulo de substâncias tóxicas de alimentos mal digeridos (como leite e derivados).

7. Problemas digestivos

Excesso de toxinas torna a digestão mais lenta pesado e isso pode causar problemas como gases e prisão de ventre.

8. Insônia

Uma sobrecarga de substâncias tóxicas prejudica toda a circulação, atingindo também o sistema nervoso.

E ter dificuldade para dormir pode ser uma das consequências disso.

9. Língua revestida de "capa" branca ou amarela

Se a sua língua estiver revestida de uma "capa" branca ou amarela, é um sinal de que existem muitas toxinas no sangue.


COMO ELIMINAR AS TOXINAS

Vamos agora ensinar algumas desintoxicações fáceis e bem eficientes:

1. Limão e água morna

É tudo muito simples.

Você só precisa espremer um limão e adicionar a um copo de água morna.

O ideal é tomar esta receita todos os dias para que ela torne seu corpo mais resistente a doenças.


2. Vinho de babosa

É também um ótimo desintoxicante.

Deve ser tomado duas vezes por ano.

Eis a receita:

INGREDIENTES

1 folha de babosa

Meio litro de mel puro

Meio litro de vinho branco

MODO DE PREPARO

Limpe a folha de babosa com um pano, descasque e extraia o gel para bater no liquidificador com o vinho.

Coloque em um vidro escuro com o mel já dentro.

Agite até misturar bem.

COMO USAR

Tome uma colher (sopa) três vezes ao dia, longe das refeições.

Quem não pode consumir álcool deve fazer uma experiência.

Ou seja, deve começar tomando uma colher (sopa) por dia e observar como o organismo reage.

A quantidade de álcool presente no vinho de babosa é pequena.

Mesmo assim, no caso de quem não pode ingerir essa substância, é importante testar e ver se o organismo suporta essa pequena quantidade

Se não houver reação negativa, aumenta-se a dose para três colheres (sopa) por dia.


3. Suco de limão, gengibre e açafrão

Este suco, além de desintoxicar, eleva a nossa imunidade.

INGREDIENTES

Meia colher (chá) de açafrão

Um pequeno pedaço de gengibre fresco

Suco de 1 limão

Meio copo de água

MODO DE PREPARO

Mistures todos os ingredientes num liquidificador.

Beba imediatamente e, de preferência, em jejum.

Hipertensos não devem fazer esta receita, por precaução e devido ao gengibre, que em algumas pessoas (não são todas) causa aumento da pressão arterial.


4. Suco de limão e salsa/salsinha

É excelente para limpar rins e fígado.

INGREDIENTES

1 limão

Algumas folhinhas de salsa (60 gramas é a quantidade precisa)

300 mL de água

MODO DE PREPARO

Esprema o suco do limão e pique a salsa em pequenos pedaços.

Coloque-os em um copo, despeje a água sobre eles e mexa.

Tome esta bebida de manhã, em jejum, por 5 dias.

Após o quinto dia, faça uma pausa de 10 dias.

Em seguida, repita o tratamento mais uma vez.

Este é um blog de notícias sobre tratamentos caseiros. 
Ele não substitui o trabalho de um especialista. Consulte sempre seu médico.


Texto retirado em 19/04/16 de http://www.curapelanatureza.com.br/post/04/2016/9-sinais-de-que-seu-corpo-esta-com-excesso-de-toxinas-e-como-elimina-las-naturalmente



domingo, 27 de março de 2016

A Páscoa na visão do Vedanta

Texto retirado de http://www.yogapleno.com.br/a-pascoa-na-visao-do-vedanta.html no dia 27/03/16

por Andrês De Nuccio, do Instituto Ísvara, de Campinas (SP)


Vedanta é uma tradição que vem preservando e transmitindo, de geração a geração, o conhecimento da real natureza daquela parte de nosso ser que chamamos de Eu.

Num sentido amplo, Vedanta é todo ensinamento que leve o estudante a uma apreciação correta de sua própria natureza.

A nossa cultura nos transmitiu conceitos a respeito do que somos, através de nossos pais, professores e adultos significativos na infância, e através da televisão, jornais, e demais mídias formadoras de opinião na vida adulta.

Ao longo da nossa vida, fomos construindo respostas para a pergunta básica e fundamental: “quem sou eu?”. E essas respostas nos levam a viver do modo como estamos vivendo.

Se o que aprendemos com os nossos pais, por exemplo, é que “eu sou responsável, inteligente e trabalhador”, certamente nossa vida será pautada por uma conduta muito diferente da que teríamos se nossos pais tivessem nos ensinado – com suas observações a nosso respeito – que “eu sou desleixado, burro e preguiçoso”.

De maneira semelhante, a mídia nos transmite o conceito de que somos pessoas inadequadas e infelizes, imperfeitas e inferiores… a não ser que compremos tal e tal produto!

E transmite essa idéia de maneira extremamente eficiente (ou deveria dizer maquiavélica), usando o conhecimento que existe sobre a mente humana de modo a tornar o seu apelo bem convincente a ponto de conseguir que, não apenas acreditemos que somos carentes, mas que também atuemos conforme essa crença, comprando o produto que nos tirará dessa carência, tornando-nos “plenos e felizes”.

Tudo em nossa vida está pautado em nossos conceitos a respeito do que somos. Seja que eu jogue basquete, navegue na Internet, cuide dos meus filhos ou colecione selos, sempre, necessariamente, esses comportamentos estarão baseados numa visão do que é necessário, do que é importante, do que precisa ser feito. E essa visão está totalmente fundamentada nos conceitos que eu tenho de mim mesmo.

O Vedanta questiona os conceitos que temos colhido ao longo da nossa vida a respeito de quem somos. Questiona se somos coisas passageiras como um corpo, sensações, emoções, pensamentos.

E o Vedanta chega a conclusões libertadoras, tais como “eu já sou a plenitude que busco”, e “eu já sou tudo que deveria ser!” Já pensou como a vida ganha em liberdade a partir dessa descoberta?

Jesus foi um grande mestre de Vedanta, mesmo que nunca tenha se chamado a si mesmo de vedantino. E Ele o era porque tinha uma total clareza a respeito de qual era a Sua verdadeira natureza. Ele tinha uma justa apreciação dos aspectos mutáveis e transitórios do Seu ser e daqueles permanentes e imutáveis.

Ele podia julgar o mundo com o olhar da Sabedoria, tão incompreensível para o homem espiritualmente ignorante. É por isso que, quase dando risada, Ele pode responder a um Pilatos embriagado de seu poder temporal: “Nenhum poder você teria se não te fosse dado pelo Altíssimo”.

Hoje, como sempre, o significado profundo das tradições espirituais se perde na superficialidade do cotidiano. E, assim, um momento maravilhoso de reflexão, de apreciação da possibilidade de uma dimensão de consciência mais ampla, capaz até de fazer com que a morte e o sofrimento percam a sua face apavorante, transforma-se numa tola corrida às lojas para comprar chocolates!

Lembro-me de uma poesia de Rimbaud em que ele convida à sua amada a viver intensamente, a soltar a sua luz, a elevar-se aos cumes do pensamento. No final, depois de ele ter feito, no decorrer de longos e belíssimos versos, as mais brilhantes propostas, é a vez de ela responder. E ela aceita? Não. Ela levanta uma objeção tola: “Sim, mas… e a minha escrivaninha?”.

O mestre indiano de Arnaud Desjardins, tendo ensinado Vedanta para vários franceses, conhecia esse apego tão comum em todos os ocidentais, que nos faz deixar de viver segundo a Verdade devido às pequenas objeções que, desde uma visão mais sábia, não passam de tolices, de brinquedos de pessoas imaturas. Uma vez, perguntado por um outro monge se já tinha aprendido a falar em francês, ele, bem-humorado, respondeu que falar francês era fácil, era apenas dizer “Oui, mais…” (sim, mas…).

Assim também, a tradição da Páscoa nos convida a renascer para um modo de vida novo e maravilhoso. E o que vamos responder? “Oui, mas… e a minha escrivaninha?????”.

Ou vamos ousar viver a nossa Luz?

Esta época de Páscoa nos dá a oportunidade de refletir sobre a maneira como pensamos a vida, sobre o modo como a estamos vivendo: a que damos valor? A que dedicamos a maior parte do nosso tempo, do nosso dinheiro, da nossa energia? A que nos apegamos sem abrir mão ou ceder um centímetro? Por que objetivo estamos dando a nossa vida?

A Páscoa nos convida à morte. À morte para um modo de vida baseado em conceitos e crenças mundanas, que não se sustentam quando confrontadas pela argumentação dos sábios. A Páscoa é um convite para abandonar o que, no nosso coração, sabemos que é preciso abandonar.

A Páscoa é um convite para ressuscitar da morte da ignorância espiritual, dos estúpidos valores consumistas que criam um destino individual de tensão e ansiedade e uma sociedade violenta e imoral.

A Páscoa diz: “Você pode crucificar o meu corpo transitório, mas não pode crucificar a Mim, que sou permanente. Você pode caluniar minha personalidade histórica, mas não pode caluniar minha Consciência imortal, que transcende qualquer definição verbal. Você, que vive alicerçado nas coisas que o mundo dá, pensa que está me tirando algo a Mim, que sou Onipresente!”

Que bela aula de Vedanta!

A Páscoa, enfim, na visão do Vedanta, é um momento para iniciar ou fortalecer o nosso compromisso com tudo que nos traz a visão dos Sábios, a visão crística: o estudo, a meditação, a verdade, a vivência da paz, o Yoga, o sorriso, o perdão…

Tomara que ela possa ser comemorada e compreendida.